quarta-feira, 13 de maio de 2009

Cyntia

Somos diferentes.

Você é de uma cor só, onde o que parece ser quase impossível se torna simples como coisas que não precisamos entender.
Eu sou de cores e flores, com essa coisa menos-hippie. Eu te pergunto todas as impossibilidades e acabo espalhando minhas escolhas e fingindo que você aceitou.

Você tem a praticidade no sangue, eu caminho em cima de sonhos!

Você não recua e eu tiro meu pé da água gelada!

Você não se arrepende, e se não consegue alcançar o jambo no galho mais alto, você atira uma pedra. Eu sinto o cheiro da flor mais próxima e fico com fome!


Somos iguais.

Quando há desânimo, tanta coragem aumenta.

E se tivermos uma levíssima sensação de não mais andarmos juntas, logo criamos peso e matéria e aparecemos sem dar explicação.

Cultivamos nossos delitos, desejando não repeti-los, e ao mesmo tempo, espalhando nossas naturalidades!

Ensaiamos nossos espetáculos, e muitas vezes não saímos das coxias.

Bebemos nossos livros, degustamos nossos filmes, lemos nossos drinks e assistimos nossas vidas!


Somos iguais, e diferentes. E por isso, é hábito pedirmos opinião, mesmo que a gente nunca concorde! Mas que alívio quando desligamos o telefone... Aquele conto parece mais fácil, aquele caminho sem pedras, aquela desordem com sentido! Mesmo que tenhamos (e é quase sempre assim) encontrar nossas próprias letras, nossas próprias falas.

'Lembranças não deixam morrer.'

segunda-feira, 23 de março de 2009

Vou ter que aprender

Ainda não entendo folhas em branco.
Nem o som mudo do teclado.
Me dói não encontrar as palavras certas para as emoções erradas.
A boca fechada quando a cabeça diz tanto.

Tentei decifrar olhares, mas alguns me soam vazios.
Então mudei os passos, os toques, os sorrisos.
Falei sem dizer, cantei só melodia.

Mas nada de céu azul, só encontrei nuvens.
Minhas palavras desenham como os raios de sol nos meus dias.
Claros, precisos e únicos para mim.

Mas, nem sempre é verão, nem sempre é canção e nem sempre é texto.

Vou ter que aprender.

terça-feira, 3 de março de 2009

Esqueceu de aplaudir o amor

Correu o retrato e ali nem me vejo mais.
Capturou a imagem, mas tenho no reflexo o solto.
Virou canção e hoje não tem o por que de tantas cordas
Amanheceu as letras, e hoje tão sem sentido!

Tomou partido, e hoje o queria junto.
Provou do agrado e perdeu o respeito
Afastou as amarras, mas prendeu o caminho
Lembrou o tempo da força, mas descobriu a fuga!

Sentiu o frio aquecido das mágoas
Trancou antigos e escolheu repetições
Percebeu o lugar e desejou a porta.
Pulou a janela e teve pressa.

Escondeu o rompante, consumiu cada prece
Aturou o galope longe
Descansou na conformidade do nó
Esqueceu de aplaudir o amor.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Lari's me disse

O que seriam os dois beijos se não um desacontecimento real?
Me deu vertigem o que poderia ter sido um abraço com alma e sem tantos sentimentos sentimentalóides como alcunhas que sempre dou a ‘eles’.
O que seria esse beijo na mão se não a inexpressão de tudo o que é lindo?
Ela tem vontade de proibir tamanhas magoações, e eu vou fazer o mesmo. Proibi-las.
Quero poder olhar para trás sem cara de nunca mais, e poder olhar pra frente com cara de até logo, sem tantos tropeços.
Aí ali, deitada no sofá em desnível, vou ficar pensando como converter tudo em apertos de mão e achá-los encantadores.
Vou encontrar soluções e vou dizer a Lari’s e ouvir a aprovação e a transformação naquilo que eu sempre quero.

É, foi Lari’s que me disse.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

E

E feito se espalhou em mim a felicidade
E dito estourou em mim a clareza
E mudo resplandeceu em mim os motivos
E vivo renasceu em mim a falta
E novo converteu-se em mim as memórias
E próximo cantou em mim o vento
E perto falou a mim com espanto
E junto comoveu em mim gigantes
E desconhecido reconheceu em mim algo brilhante

E longe marcou meus louros, coroou meus avanços
E [pena]resistiu aos meus encantos!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Calar

Por que calar?
Ainda que junto da voz venham predicados indescritíveis
Ou xingamentos indefiníveis.

Por que calar?
Ainda que junto das letras venham respostas que não queriam ser lidas
Ou não mereciam ser escritas.

Por que calar?
Ainda que junto venha muito do que se ouve sempre.
Ou nada do que não se ouve nunca!

Por que calar?
Ainda que junto o risco de ser.
Ou o sentido de não ser.

Por que calar?
Tenho preferido cometer enganos.
Tenho preferido falar.

[esse vai para minha mãe.]

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Editor

Tenho andado como um editor.

Decupando todos os dias as minhas imagens.
Congelando bons frames.
Dando slow naquele momento tão casual, mas tão importante.
Escolhendo as falas, apurando as letras.
Mudando as trilhas. [Minhas músicas,as melhores!]
Contando os segundos. Ajustando o tempo.
Perdendo tempo.

Tenho andado como um editor.

Apagando maus momentos.
Tirando o sob som naquela fala áspera.
Indo e voltando , cortando o texto.
Tentando consertar. Fazer diferente.
Mudar os sentidos. Mudar o sentido.
Dar novas falas.
Captar novas imagens.
Ganhar tempo.